Operação Vectura Corrupta cumpre 16 mandados de prisão e investiga suspeitas de direcionamento de licitações, lavagem de dinheiro, corrupção de agentes públicos e financiamento político; ex-presidente da SPTrans foi preso e Justiça também decretou prisão temporária do ex-presidente da Câmara Milton Leite Uma investigação de grandes proporções sobre a possível infiltração do Primeiro Comando da [] O post PCC NO TRANSPORTE PÚBLICO? OPERAÇÃO APONTA QUE 12 DAS 22 EMPR


Operação Vectura Corrupta cumpre 16 mandados de prisão e investiga suspeitas de direcionamento de licitações, lavagem de dinheiro, corrupção de agentes públicos e financiamento político; ex-presidente da SPTrans foi preso e Justiça também decretou prisão temporária do ex-presidente da Câmara Milton Leite
Uma investigação de grandes proporções sobre a possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público de São Paulo ganhou as ruas nesta quinta-feira (17).
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram a Operação Vectura Corrupta, com 16 mandados de prisão temporária e 18 de busca e apreensão em endereços na capital, Grande São Paulo e Baixada Santista.
O dado de maior impacto aparece na própria investigação: 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da capital seriam, em tese, controladas direta ou indiretamente pelo PCC. A informação consta dos elementos apresentados pelo Ministério Público e mencionados na decisão judicial que autorizou a operação.
Isso representa mais da metade das empresas do sistema mencionadas na investigação.
EMPRESAS DE ÔNIBUS COMO ESTRUTURA DO CRIME ORGANIZADO
A investigação descreve um modelo que iria muito além da utilização de empresas para simplesmente movimentar dinheiro.
Segundo as autoridades, a suspeita é de uma estrutura envolvendo empresas de transporte, pessoas utilizadas como sócios formais, contratos públicos, articulações políticas e agentes públicos, funcionando de maneira coordenada em benefício da organização criminosa.
A apuração aponta que integrantes da facção utilizariam laranjas para esconder quem efetivamente controlava determinadas empresas.
Também são investigados possíveis ajustes para direcionamento de licitações e obtenção de contratos públicos.
Em alguns casos, a suspeita é de que empresas passassem a ser administradas por pessoas ligadas à organização criminosa depois de conquistarem contratos, com investigação também sobre eventual pagamento de propina a agentes públicos.
EX-PRESIDENTE DA SPTRANS É PRESO
Entre os presos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, empresa municipal responsável pela gestão do transporte coletivo por ônibus na capital.
Segundo a investigação, Levi teria mantido encontros periódicos com um homem apontado como integrante do esquema para tratar de interesses relacionados às empresas de transporte.
A decisão judicial citada pela Folha afirma que os encontros teriam como finalidade tratar de interesses atribuídos ao PCC no setor.
A defesa de Levi informou que foi surpreendida pela prisão, afirmou que ele é primário e sem antecedentes e declarou que ainda não havia tido acesso integral aos autos. Disse também que adotará as medidas jurídicas cabíveis após conhecer os elementos que fundamentaram a prisão.
JUSTIÇA MANDA PRENDER MILTON LEITE
Outro nome de forte peso político atingido pela operação é o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil).
A Justiça decretou sua prisão temporária.
Policiais estiveram em endereços relacionados ao ex-vereador, mas ele não foi localizado durante o cumprimento do mandado. A Polícia Civil passou a considerá-lo foragido; Leite, por sua vez, afirmou que estava viajando, negou estar fugindo e declarou que se apresentaria às autoridades em até 24 horas.
Ele também negou as acusações e qualquer vínculo com o PCC.
Não conheço ninguém do PCC nessa vida.
Leite também negou ser proprietário de fato da Transwolff, uma das empresas que aparecem nas investigações.
MENSAGENS LEVARAM INVESTIGADORES ATÉ O EX-VEREADOR
Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, diálogos obtidos durante a investigação foram utilizados pelo Ministério Público para sustentar o pedido de prisão temporária.
As conversas envolveriam investigados discutindo empresas de ônibus e fariam referências à atuação de Milton Leite em assuntos relacionados ao setor.
Para os investigadores, os elementos apontariam possível atuação política do ex-vereador em decisões estratégicas envolvendo empresas investigadas.
Essa é a tese da investigação, contestada por Leite, e ainda não representa condenação ou conclusão definitiva da Justiça.
CANDIDATO A DEPUTADO ESTADUAL TAMBÉM FOI PRESO
A operação também atingiu diretamente a disputa eleitoral de 2026.
O candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) foi preso temporariamente nesta quinta-feira.
A investigação aponta suspeitas de vínculos com integrantes da organização e também apura eventual financiamento ilícito de campanhas políticas.
Os investigadores analisam tanto a eleição municipal de 2024 quanto possíveis conexões com a disputa eleitoral atual.
A prisão é cautelar e não representa condenação.
DINHEIRO DO CRIME EMPRESAS CONTRATOS POLÍTICA?
É justamente essa possível cadeia que torna a investigação especialmente relevante.
O que as autoridades tentam reconstruir é se recursos de origem criminosa teriam sido inseridos em empresas aparentemente regulares, utilizados dentro de estruturas que recebem recursos públicos e, posteriormente, empregados também para construir influência política e financiar campanhas.
A investigação menciona suspeitas envolvendo:
crime organizado empresas e laranjas contratos e licitações agentes públicos financiamento político.
Cada elo dessa cadeia, entretanto, precisa ser individualmente demonstrado pelas provas.
INVESTIGAÇÃO CHEGA A FUZIS E COCAÍNA
Os elementos apurados também extrapolam o setor de ônibus.
Segundo documentos da investigação obtidos pela Folha, homens apontados como possíveis laranjas no esquema aparecem em conversas envolvendo negociação de fuzis, coletes balísticos e aproximadamente 200 quilos de pasta-base de cocaína.
Esse material ajuda a explicar por que os investigadores sustentam que não estariam diante apenas de eventuais irregularidades empresariais ou administrativas.
A hipótese investigativa é de infiltração de uma organização criminosa em atividades econômicas regulares e estruturas públicas.
TUDO COMEÇOU EM OUTRA OPERAÇÃO
A Vectura Corrupta é desdobramento da Operação Decúrio, realizada em agosto de 2024.
Na investigação anterior, as autoridades identificaram uma rede de comunicação atribuída ao PCC, incluindo referências a núcleos conhecidos como Sintonia Restrita e Sintonia dos Gravatas.
A apuração também identificou suspeitas de projetos para ampliar a influência política da organização criminosa. O aprofundamento da análise de celulares, documentos, movimentações financeiras e comunicações levou os investigadores à atual frente relacionada ao transporte público.
PREFEITURA AVALIA INTERVENÇÃO
A repercussão da operação já chegou à Prefeitura de São Paulo.
A administração municipal criou um grupo com representantes da Procuradoria-Geral, Controladoria-Geral, Secretaria de Mobilidade Urbana e SPTrans para avaliar os contratos e a possibilidade de intervenção em empresa atingida pelas investigações.
A medida é relevante porque as empresas investigadas não prestam um serviço privado qualquer.
Elas integram um sistema público essencial utilizado diariamente pela população e sustentado por contratos, tarifas e recursos públicos.
INVESTIGAÇÃO NÃO É CONDENAÇÃO
A dimensão das suspeitas exige a mesma dimensão de cautela.
A Operação Vectura Corrupta está em andamento. Prisões temporárias são medidas cautelares destinadas à investigação e não significam que os investigados tenham sido considerados culpados.
Da mesma forma, dizer que determinada empresa seria controlada pelo PCC significa reproduzir a conclusão preliminar apresentada pelos investigadores, e não afirmar que isso já foi definitivamente reconhecido por sentença judicial.
Os investigados têm direito à defesa, ao contraditório e à contestação das provas.
A PERGUNTA QUE VAI ALÉM DOS ÔNIBUS
Se a investigação conseguir comprovar que integrantes de uma facção criminosa conquistaram influência sobre empresas responsáveis por uma parcela significativa do transporte coletivo, o caso não será apenas uma investigação criminal sobre empresários.
Passará também pela fiscalização de contratos públicos, licitações, mecanismos de controle, atuação de servidores, financiamento eleitoral e capacidade do Estado de identificar os verdadeiros controladores das empresas que recebem dinheiro público.
E uma pergunta institucional se torna inevitável:
COMO EMPRESAS QUE A INVESTIGAÇÃO AGORA APONTA COMO CONTROLADAS DIRETA OU INDIRETAMENTE PELO PCC CONSEGUIRAM OPERAR DENTRO DO SISTEMA PÚBLICO DE TRANSPORTE?
Responder a essa pergunta será tão importante quanto identificar criminalmente cada pessoa envolvida.
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Fonte: Ministério Público de São Paulo; Polícia Civil de São Paulo; decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo; CNN Brasil; Folha de S.Paulo; UOL.
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Fonte: auge1.com
